O violão que não ganhei no meu Natal inesquecível

Porque amo o Natal e recomendo a leitura de Capitães da Areia

Eu amo a época do Natal!

Não pelo comércio. Menos pelos presentes ou qualquer apelo. Eu gosto do Natal porque rola uma energia de compaixão no ar. Um clima de pensamentos positivos e de desejo que boas coisas aconteçam no ano que está chegando. Acho que, nem que seja pelo feriado, é uma oportunidade de estar junto das pessoas que gostamos. Pode ser família, amigos, festas.

Eu sei que o apelo comercial excessivo e esse clima de “felicidade obrigatória” faz mal a algumas pessoas. Tenho consciência de que essa pressão pode atingir aos mais sensíveis. Mas acredito que podemos, justamente por isso, usar essa época para espalhar um pouco de amor por aí. Podemos compartilhar frases motivacionais, imagens, canções que podem vir a alegrar pessoas solitárias.

Com o advento das redes sociais as pessoas ficam ali, vagando nas linhas do Insta, Face ou qualquer rede, procurando “companhia”, buscando alguém para compartilhar um breve momento.

Então, vamos deixar deixar de ser os chatos que odeiam o Natal e vamos entrar no clima bom.

Já se deram conta de que, às vezes, essa é a única época onde uma família passa um tempo junto? Já notaram que no fim do ano até os corações mais duros tentam ser solidários?

Sem falar nas crianças que esperam e adoram pensar que seus presentes estão chegando…

Eu lembro de um Natal onde eu queria muito – mas muito mesmo – ganhar um violão. Eu sempre gostei de música e sempre pedia brinquedos musicais. Mas naquele ano, início dos anos 1990, a coisa estava bem difícil economicamente. Meu pai desempregado, a gente morando num loteamento de área verde, sem água nem luz regular. A mãe falou que ia ser um Natal enxuto. Eu achava que não ia ganhar nada. E então, quando acabamos de jantar, a mãe veio com uns pacotes para todo mundo. Cada um ganhou um. E o meu era pequeno demais para ser um violão… Mas era! De brinquedo, não o de verdade que eu sonhava… Mas eu não fiquei triste. Era um violãozinho de madeira barata, com quatro cordas de nylon. Mas eu amei aquele presente! Eu, emotiva desde sempre, chorei ao ver que minha mãe tinha se esforçado para nos dar alguma coisa, mesmo que simbólica. Ela se esforçou para tornar a nossa noite um pouco mais feliz e, por um breve momento, esquecermos da nossa situação complicada.

Sei que alguém pode retrucar dizendo que é só uma data. E é sim. Cada um pode ter uma crença sobre o Natal ou não ter nenhuma. Independente disso, penso que podemos aproveitar o ensejo das comemorações e, pelo menos, tentar amar mais. Tentar ser um pouco legal nessa época. Tentar pensar um pouco mais em quem está ao nosso redor.

Ah, mas tem criança que não ganha nada“. Sim, tem sim, infelizmente. Então, se você sabe disso, comece a fazer algo para amenizar. Busque uma ONG, adote uma cartinha dos Correios, vá até as crianças da sua vizinhança e dê algum presente. Visite uma casa de idosos, mande uma oração se você for de crença, compartilhe uma imagem de gatinho de você for das redes sociais. Faça algo bacana! Todo mundo pode consegue. Se mesmo os que não gostam do Natal tentarem fazer algo bom, nem que seja por um dia, nem que seja para usar bem o feriado, essa época vai ser um pouco mais iluminada. Para todos, de alguma forma.

Bom, não esqueci que esse é um blog sobre literatura hehe. Então, minha leitura de Natal é Capitães da Areia, do baiano Jorge Amado.

É um livro fácil de achar em sebos. Ele têm muitas edições. Se pesquisar bem no Google deve até achar em algum site (pesquisar não é crime).

A Tag Livros – clube de assinatura de livros – tem uma edição esclusiva bem lindinhas do livro também. Inclusive, se quiser assinar a Tag, usa o meu código JAIXKKZW que tem descontão para novas assinaturas! É só ir no http://www.taglivros.com 😉

Mas enfim, voltando ao Capitães da Areia… É um livro forte, intenso, verdadeiro mas cheio de beleza. O autor – que dispensa comentários – aborda as condições degradantes de meninos e meninas que moram nas ruas de Salvador e passam por situações muito difíceis. Eles crescem sem família, marginalizados e abandonados à própria sorte. Tentando se virar como podem. Tentando sobreviver.
É um livro emocionante. Que causa dor, revolta, tristeza… Mas também esperança.

É um livro que fala de uma realidade muito distante da nossa. O livro foi escrito em 1937 mas todos sabemos que muitas pessoas ainda vivem em situação de rua e muitas – muitas – crianças ainda nascem nas ruas. Crescendo sem o mínimo de oportunidade.

Recomendo esse livro porque é daqueles que nos transformam por dentro. Ele mexe com a gente de alguma maneira. E, nessa época de virada de ano, desejo que todos nós mudemos, um pouquinho que seja, para melhor.

Feliz Natal para quem curte.
Feliz Ano Novo para quem está a fim.
Feliz sempre para todos!

3 comentários sobre “O violão que não ganhei no meu Natal inesquecível

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